Quitéria & Inês, da maranhense Júlia Emília, 26/09 e 3/10

A múltipla artista maranhense Júlia Emília prepara o lançamento do processo Quitéria & Inês, com publicação através do Edital Prêmio Literário da Secretaria de Estado da Cultura, em 2018, tendo a autora o primeiro lugar, e esticando o recurso da premiação, autêntica economia criativa, inclui a montagem da dramaturgia!

Quitéria & Inês encerra a trilogia, com as peças Meninilha e Ilhadas, no exercício de uma linguagem com a qual mulheres que são artistas escrevem sua própria história, sistematizam suas técnicas e análises, preservam sua memória e constroem crítica que encarna fatos reais em reinvenções dramatúrgicas. Além da dramaturgia, relata processos fundamentados, ilustrações da artista Telma Lopes, e fotos de ensaios da peça atual e apresentações anteriores.

Dona Quitéria Francisca Sebastiana, rica senhora de engenho na ribeira do rio Mearim, encarcerada em 1784 pelo marido e o cunhado para se apropriarem de seus bens, se constitui como arquétipo da dolorosa semelhança entre os encarceramentos forçados do século XVIII e os acontecimentos do regime ditatorial brasileiro, horror presente nas vozes sobreviventes das mulheres xingadas, seviciadas, estupradas, molestadas e abusadas.  A transversalidade entre territórios geográficos e a escolha de figuras históricas equidistantes torna a dramaturgia construída em múltiplas linguagens com a presença de Inês Etienne Romeu, a última presa política libertada e única sobrevivente da Casa da Morte, com a Lei da Anistia, promulgada em 28 de agosto de 1979, lhe possibilitando denunciar e esclarecer os crimes acontecidos, memorial em primeira pessoa das marcas nefastas impressas em sua carne.

A vergonhosa prevalência que extermina o universo mítico do feminismo das narradoras Quitéria e Inês, sentimentos femininos destroçados que não se apresentam como sofredoras resignadas, representam as condições do delicado tecido da consciência social, sem conotação de gênero isolado, inseridas nas culturas do mundo, experimentando a relatividade do bem e do mal e preservando sua independência com qualidades compassivas. Lívia Gaudencio, dramaturga mineira, apresenta a publicação sendo aclamada pela rede The Magdalena Project que apoia iniciativas comprometidas com a visibilidade do empenho artístico das mulheres: Os arquivos históricos têm um papel didático bastante eficaz para resguardar memórias, porém só a arte pode transcender, provocar, transpor os fatos da matéria morta para os sentidos do público no exato momento da fruição. “Quitéria & Inês” é um registro poético de duas mulheres reais que representam a subjugação da mulher em seus respectivos tempos. Desta forma, a publicação desta dramaturgia é um avanço importante para combater a situação de sub-representatividade do feminino e para afirmar a inclusão das mulheres também como agentes construtoras da história; tanto Quitéria, quanto Inês, quanto Júlia Emília e todas as outras que ainda virão.

26 de setembro de 2019, às 19 horas
Tema do encontro: lançamento performático de Quitéria & Inês publicação pela Quintal Edições | BH | MG- mediação de Lindevânia Martins, Mulherio das Letras/Leia Mulheres SLZ | Performers -Eline Cunha, Tatiane Soares, Victor Vihen
Cafeteria do Teatro Arthur Azevedo (R. do Sol – Centro) Custo livro: R$ 30,00

03 de outubro de 2019, às 20 horas
Tema do encontro: estreia do espetáculo Quitéria & Inês
Teatro do Centro de Criatividade Odylo Costa Filho (Praia Grande)
Contribuição R$ 10,00

Autora
Júlia Emília Bastos Ferreira da Silva nasceu na Ilha do Maranhão, agosto 1954, nas turbulências do suicídio de Getúlio Vargas. Teve um pé na formação clássica e outro nos terreiros das culturas tradicionais, sem populismo postiço, fundamentando dramaturgia do corpo. Formação com ambiente diversificado, artistas e coletivos da educação, dança, teatro, literatura e vídeo, em sistemas inovadores, revelando as ações de mulheres que não dividem corpo, mente, espírito e estão alinhadas com o mundo, tendo uma história feita de treinamentos, estudos, espetáculos, viagens, investigações e encontros. Fundou e dirige o Grupo Teatrodança, focada na potencialidade da ação, combina a matéria estética e a noção de corpo em sua cena e pedagogia, não se envergonha de expor seus exercícios de aculturação, e registra dramaturgias que publica exatamente por acreditar que o texto eterniza a construção dramatúrgica.

Quitéria & Inês Quintal Edições, 2019
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Equipe técnica do espetáculo
Processo da dramaturgia e atuação – Júlia Emília e Tatiane Soares
Tutoria do processo – Tânia Farias | Ói Nóis Aqui Traveiz – RS
Conteúdos históricos – Maria da Glória Guimarães Correia
Criação e gravação da trilha sonora – Beto Ehongue (Sexta Sinfonia – Canção da Terra, Gustav Mahler)
Plano e operação de luz – Júlio César da Hora
Criação e pintura dos painéis – Telma Lopes
Materiais de cena – Teatrodança e Centro Ozaka
Confecção figurinos – Lucineide Melo
Confecção peruca – Stillus Hair
Artes visuais – Marcos Caldas
Classificação – 14 anos

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